
Essa viagem veio num momento muito especial para mim. Estava ficando sem impressão de nada e a mudança do espaço e do tempo (por que Sao Paulo tem um ritmo de tempo tão diferente de BH) me trouxe de volta a impressão. O que é irônico, por que eu fui pra lá fazer um curso de produção gráfica. (gráfica, impressão, hã, hã...)
Umas coisas que ficaram impressas em mim foram as imagens criadas pelo Vik Muniz. O trabalho dele (coisa rara hoje em dia) consegue te mover para além da visualidade que cerca nosso dia a dia.
As imagens mais famosas dele são aquelas feitas em chocolate, uma de geleia, uma de manteiga de amendoin e uma de uma rosto assustado no meio do macarrão. eu escolhi postar essa ai de cima porque a ideia de fragmentação que ele trabalha está representada por uma figura do menino engrachate feito de pequenos brinquedos coloridos e para mim representa uma coerência incrível entre o suporte, a técnica, o conteúdo, a abordagem, o discurso e o tema, não que as outras não seja também coerentes.
Num trecho de um dos vídeos que integra a exposição o artista fala que queria criar imagens das quais é preciso se afastar para percebe-las. Eu fiquei pensando que todas as imagens são assim: é preciso se afastar delas, ter um tempo para absorvê-las. Principalmente hoje em dia, que andamos tão saturados, né?
Essa coisa das imagens compostas de fragmentos dispersos que se reunem para formar novas leituras é intertextualíssima e extremante representativa de uma lógica contemporânea. Já tinhamos postado sobre o Cris Jordan, que eu acho que dialoga muito com essa lógica, já já vamos ter um post sobre, Rico Lins, que trabalha a ideia de fragmentação de outra forma, mas tam∫ém super interessante.
Aos que tiverem chance, aproveitem. Aos que não puderem dar um pulo no MASP, vale dar uma pesquisada no trabalho dele. Para mais, visite o site: Vik Muniz

